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sábado, 2 de novembro de 2013

Da série medos da gravidez: De não dar conta de ensinar outra vez.

Daí que ontem foi um dia bastante cansativo. Afazeres mil, bebê sem escolinha e trabalhado na voltagem máxima. Escândalos e choro o dia todo. Dele e meu. 
Cansei. Descompensei. Surtei. Fiquei pensando que fiz tudo errado no caminho da maternidade. Que dedicação exclusiva é coisa de amélia. Que eu preciso sim, da minha vida particular de volta. Que fui burra de não voltar quando tive oportunidade. E mais burra ainda por deixar outra gravidez acontecer. Que não era o momento. E no meio da exaustão, fiquei com medo. 
Medo de não dar conta de um novo bebê. De não ter paciência de ensinar tudo de novo. De fazer brincadeiras, de amamentar, de dar amor. Medo de não ter paciência pra repetir a dose em tão pouco tempo. Ensinar a se alimentar bem, nadando contra a corrente? Conseguirei ser forte de novo? Ensinar a andar, acompanhar, amar sem limites, proteger, dar atenção (agora dividida por dois) da maneira certa? Tantas dúvidas. Uma certeza apenas. A de que esse dia vai chegar. O dia em que Helena estará nas minhas mãos. E cansada ou não, terei que dar conta. 
Do fundo da minha alma, que Deus me ajude. Que me dê paciência e vontade. Não é medo de não amar. É medo de estar cansada demais pra cuidar como deveria. 
Acho uó do borogodó essas "mãezinhas" do Facebook espalhando compartilhamentos de frases de efeito, tipo: "Ser mãe de 5 é oitava maravilha do mundo!". O dia todo fotinhos com frases bestas. Que você sabe que não é bem assim. Que a pessoa em questão não é lá tão perfeita e nem tão feliz. Que a vida dela não é esse mar de rosas todo. Aliás, que vida é? Viver já implica riscos e dias bons e dias ruins. E ninguém é tão altruísta pra somente ver o lado bom. Essas coisas me enjoam. O mesmo vale para as mães do parquinho, todas mega felizes em ficar lá, vendo a vida passar e suas crias mimadas e egoístas arrumarem confusão por conta de brinquedo. 
O fato é que estou cansada, com medo e sozinha. Muita mudança na minha pobre vida. Me sinto sobrecarregada. Como se gritasse e ninguém pudesse me ouvir. Sabe pesadelo? Bem assim. Você grita e a voz não sai. 
Que o Senhor me capacite! É o que peço. Por hoje, é só!  

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A dona desse sapatinho já existe!

Agora é oficial. O ser que habita esta pança é uma menininha! (Uhu, todasgrita!!). 
Eu já sabia desse palpite desde o ultra morfológico das 12 semanas. Mas era palpite, de modo que segundo a dona doutora, havia 30% de chance desse quadro mudar e aparecer um pipizinho na próxima ultra. Mas, segundo o seu doutor do ultra que fiz no domingo, é mesmo uma menininha! 
E a minha vida se pintou de rosa. Aliás, rosa não, que é muito comum. Eu estou mesmo é apaixonada pelo vermelho. Desde que engravidei e tudo o que eu sentia era frio na barriga pela novidade, eu só conseguia reparar em coisas vermelhas para o possível bebê. 
Helena, nossa rainha, deverá vir ao mundo em 16 de fevereiro, segundo a DPP. Bom, sabe-se lá né? Pedro era folgado como a maioria dos homens e ficou na barriga até os 45 do segundo tempo. Mas agora a história é outra. Sexo feminino, gente! 
Eu não sei como agir. Tudo é novidade! Socorro, eu não sei limpar pererecas! (Pode parecer estranho dizer isso, né, eu sei) mas eu nunca troquei uma bebê. Onde passa pomada? Precisa de água e sabão quando tiver um cocô bombástico? Porque com meninos está tudo BEM exposto. É fácil e indolor, mas e com o dito sexo frágil? 
Eu confesso que fiquei me imaginando mãe de menina, e senti pena dela. Eu sou dotada de 2 mãos esquerdas, até um rabo de cavalo que eu faço em mim fica torto. Não sou de firulas nem de enfeites. Anel, só a aliança e tá ótimo. Roupa colorida eu aprendi a usar depois dos 20. Antes era preto, branco e jeans. 
Minha irmã me mandou uma foto de uma menina toda fofa esses dias. Eu olhei, e só consegui pensar: Se fosse minha filha eu faria um regime nela, porque ela tá obesa. E pegaria essa bolsinha pra mim! Rá! Juro que pensei isso!!!
Bom, deixemos de lado as divagações de mãe louca. O tempo se encarrega de ajeitar tudo o que precisa. 
De verdade, eu fiquei feliz, claro, e um pouco aliviada por poder corresponder as expectativas de um monte de gente querida. (Sim, eu reclamo muito, mas sou meio como a Mônica dos Friends, preciso de aceitação alheia). Não ligo para estranhos, mas ligo para família, e fico feliz quando nossos sonhos acontecem. Para a família marido-Pedro-mamãe será ótimo ter uma menina que equilibre nossa conta, ficamos felizes com isso. E quanto ao novo ser que vai nascer, eu acho que ser diferente do primeiro vai ser bom pra que ele tenha identidade própria. Pra que não seja "mais um menino". Mas que seja o novo bebê, com características próprias. Que possa fazer as escolhas que lhe couber, sem herdar tudo do irmão mais velho, que nem é tão velho assim! 
Enfim, eu amaria qualquer que fosse o resultado. Amava antes de saber porque é meu. Eu fiz. Eu vou criar. E gosto de futebol, jogaria com eles se fossem 2 meninos. Já ensinei um a gostar de homem-aranha, poderia fazer isso com outro. Mas, que venham as Barbies, as Pollys e o que mais me reserve o futuro!
Que nossa rainha venha com saúde! Pedro Lucas já ensaia um "Heleninha" que é a coisa mais fofa desse mundo! 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Saudade de quem eu fui...



Eu não tinha este rosto de hoje, 
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, 
nem o lábio amargo. 

Eu não tinha estas mãos sem força, 
tão paradas e frias e mortas; 
eu não tinha este coração 
que nem se mostra. 

Eu não dei por esta mudança, 
tão simples, tão certa, tão fácil: 
- Em que espelho ficou perdida a minha face?

(Retrato - Cecília Meireles)


Eu acho lindo essas mulheres que ao se tornarem mães se encontram na vida. Aquelas que sonharam a vida toda com casa, marido, filho e cerquinha branca em volta de tudo isso. Mulheres que nunca sonharam em ser professoras ou astronautas. Acho que é uma verdadeira vocação. Não ter mais ambições, aspirações e tal. 
Infelizmente, eu não sou assim. Ser mãe foi um desejo realizado, claro. Casar não era bem um desejo (quem me conhece sabe, eu SEMPRE achei que ia morrer encalhada). Enfim, eu construí uma família verdadeira e feliz. Nos amamos. Nos amparamos, como sempre deve ser. Mas, (sempre tem um mais) paralelo a isso, eu sou um ser humano. Que caminha, respira, pensa como um ser individual. Alguém que além de ser mãe e esposa é mulher. É um ser pensante. Essa, aliás, é uma qualidade que muitas vezes me soa como defeito. Ser pensante. Por vezes pensar demais não é muito legal. Cansa. Entristece. Porque tem horas em que você pensa que pode ser mais do que é. Mesmo que o seu dia continue tendo 24 horas, você pensando muito ou não. Não é uma questão de desdenhar o que se tem, veja bem. Família é uma graça de Deus que deve ser celebrada. Mas muitas vezes essa rotina de dona de casa cansa. Essa coisa de correr atrás do rabo. Você faz, faz, faz e nunca acaba o trabalho. A TV a cabo tem 200 canais e nada enriquecedor passando. A rotina do lava-passa-cozinha é um tormento. Recolher brinquedos é tarefa eterna. E tudo se repete no dia seguinte. 
E tudo o que estudei, todo o conhecimento que absorvi, e todo meu potencial, fica aonde nisso tudo? Eu sempre me empenhei tanto pra ser bem sucedida. E tem horas que tudo me parece perdido. Horas, dias, anos em vão. 
Quando eu estou no ápice do dia, aquela hora em que você já não aguenta mais, eu costumo brincar com marido dizendo que eu podia estar nas aulas do Mestrado. Mas estou de pijama, correndo atrás de criança que não quer tomar banho. Ou pensando no que cozinhar pro jantar. Frustração define. 
E eu sou pessimista. Muitas vezes, eu só vejo pelo prisma de que já passei dos 30. Logo estou velha pra qualquer coisa interessante nessa vida. Eu sei que é exagero. Mas no olho do furacão, é assim que me sinto. 
Quando vi as chamadas para o filme sobre Elizabeth Bishop me senti uma burra. Eu estudei Bishop na faculdade, e simplesmente não me lembrava da passagem dela pelo Brasil. Como assim? Onde foi que eu guardei tudo aquilo que me orgulhei tanto em aprender? 
Talvez seja só uma questão de tempo até que as coisas se arranjem. Até que a situação melhore. Vai ser assim. Porque eu sei que posso mudar qualquer situação enquanto houver sopro de vida em mim. 
Mas as vezes é preciso deixar transbordar. Porque externar pode ajudar a resolver. Tem dias em que eu sou pequena pra guardar tantos pensamentos. É necessário colocar pra fora. Seja em forma de lágrimas, ou de palavras. 
Não é falta de gratidão, nem de amor. Não me entendam mal. 
É apenas excesso de pensamentos. 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

14 semanas de gestação! O teve até agora?

Segundo a DUM, hoje entramos na semana 14. E o que tivemos até o momento?

* Nada de enjoos. Todos dizem AMÉM nesse momento, por favor. Nada. nem enjoo matinal, nem vômitos, ah, que felicidade. Na gestação do Pedro eu mal podia escovar os dentes. Uma loucura que só passou perto das 20 semanas.

** Em compensação, dor de cabeça teve aos montes. É, nada é perfeito.

*** Doenças oportunistas também. Brinquei com a médica que já fiquei mais doente nesses últimos 3 meses do que nos últimos 4 anos. Foram 2 resfriados daqueles que atacam sistema respiratório, 2 crises de sinusite, sendo uma delas com direito a antibiótico e corticoide, o que baixou minha imunidade abrindo portas para aftas na boca, entre outras coisinhas, assim, femininas.

**** Também já cai. Com Pedro no colo. Ralei os 2 joelhos. Nada demais. Fora o susto.

***** A barriga começou a disparar agora. Isso depois que deixei a notícia vazar pra geral, com 12 semanas. Mas é aquilo: Quem sabe da gravidez acha que a barriga já tá aparecendo. Quem não sabe acha que eu relaxei e tou gordinha. Fato. Até eu acho que a barriga é mais panceps do que gravidez.

****** No ultra morfológico tivemos um palpite sobre o sexo. 70% de chance. Sei!! Como ainda sobram 30%, preferimos deixar a informação no gelo. Quem sabe mais pra frente temos certeza e aí soltamos a notícia.

No mais, acho que está tudo indo dentro da normalidade. Segundo a pesagem, eu engordei 1kg. aproximadamente. Segundo a MINHA pesagem, feita antes de descobrir a gravidez, até a consulta de 12 semanas, quando a médica pesou pela primeira vez.
Medo master de virar uma bola na segunda gravidez, visto que a idade aponta 3.2!!! E fuçando nas minhas postagens antigas, achei um texto onde eu disse que engordei 300 gramas no primeiro trimestre do Pedro! SOCORRO!!!!

Quer ver como evoluí? Dá uma olhadinha em uma postagem antiga, mais ou menos nas 14 semanas de gestação do Pedro Lucas.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Quando o que eu mais queria...

...Era provar pra todo mundo, que eu não precisava provar nada pra ninguém.

Com esse trecho da velha canção, Renato Russo talvez tenha descrito grande parte do momento em que estou vivendo. 
Se tem uma coisa que eu abomino, essa coisa é pensar que meu nome é assunto na boca do povo. Não sei lidar com isso. Sempre procurei manter minha privacidade em muitos casos pra não ver que o assunto do momento era eu. 
E a notícia de uma gravidez, inevitavelmente te coloca no olho do furacão. Fato. E gravidez, quando se tem um bebê que ainda vai fazer 2 anos, mais bafo ainda. Comentários e palpites brotam do nada. Todo mundo tem algo pra dizer. Ou um conselho pra dar. Coisa que eu também abomino. 
Então eu me fechei. Descoberta a gravidez, passei a agir feito menina de 15 anos que precisa esconder a gravidez dos pais. Roupas discretas que não marcassem a barriga, ainda que a barriga nem existisse. E assim foi por semanas. Começou um sonha-sonha na igreja. Fulana sonhou que você tava grávida. Beltrana sonhou que você tinha um bebê novo. Olhando com os olhos da fé, era como se Deus dissesse: "Não tenha vergonha do que EU te dei".
Mas o processo de aceitação foi e ainda é um caminho a se seguir. Deixar de me importar com os comentários alheios, saber levantar a cabeça e deixar pra lá, afinal, quem vai parir sou eu, quem vai ficar sem dormir por uns 5 anos seguidos (somados os que já fiquei com Pedro), sou eu.
Então agora, com 12 semanas completas, um ultrassom morfológico e uma certeza de que está tudo bem e saudável, comecei deixar a notícia vazar. Domingo pela primeira vez usei um vestido que evidenciava a barriga que começa a aparecer. 
E as coisas vão acontecendo naturalmente. No Facebook, a rede onde estão os amigos mais próximos e familiares, ainda nem dei a notícia. Não achei disposição pra isso ainda.
Acho que a questão é exorcizar os fantasmas que moram dentro de mim, e não nas pessoas. Porque no fundo, o que importa mesmo é a minha família. É marido e filho estarem bem. É ver Pedro Lucas beijar a barriga da mamãe, ainda que ele não tenha a menor ideia de porque nós o ensinamos a fazer isso. 
Fora que né, linguarudinho como ele está, não demora pra começar a propagandear a gravidez da mamãe. Ele até o fez, mas não conseguiu se expressar direito. O tio dele conversava com ele e perguntou: "Cadê o barrigão do nenê?" Ele olha e não pensa duas vezes. Caminha até perto de mim e dá um tapinha na minha barriga: - "Ati ó!!!" 

sábado, 9 de março de 2013

A decisão pela escolinha.


Agora é oficial. Bebê está em adaptação na escolinha desde quarta-feira. Esse é um assunto (mais um) bem difícil pra mim. Uma parte de mim chora e se descabela de culpa. A outra, respira aliviada por ter um momentinho alone. Até lavou os banheiros, veja só.
A questão é que do jeito que está, não dá. Tá difícil, tá pesado. Me sinto sufocada. A questão não é o bebê, não me eleja uma péssima mãe. 
A questão sou eu. Eu não me encaixo nessa vida de dona de casa e mãe. Sou atrapalhada. Não gosto de afazeres domésticos. Faço rápido pra me livrar logo deles, e com um bebê em casa, limpeza e arrumação é quase impossível, seja rápida ou demorada. Fato é que estou enlouquecendo. Protelando levantar da cama só pra não ter que recomeçar a rotina novamente. E minha rotina é solitária. Não tenho ninguém por perto que segure a cria para eu ir ao supermercado, ou açougue, rapidinho, ali na esquina. Tenho que levar o baby. Ninguém pra distrair enquanto eu tomo um banho. Ou vou fazer as unhas. Com o tempo, eu me tornei expert em passar a roupa com uma mão e segurar a tábua com a outra. Porque a criança não pode ver a tábua montada, que acha que é pra brincar de cabaninha. Daí, se esconde embaixo dela, leva junto os carrinhos, os Patatás, e tudo o mais que ele encontrar. 
E tem a questão de que eu quero voltar a trabalhar. Eu preciso disso. Sério mesmo. Claro que agora a coisa é diferente. O salário não é o mais importante. Tenho que prezar pela cria. Distância da minha casa, horário de trabalho, quantos dias da semana, tudo tem que ser levado em conta. 
Não tá fácil. Já recusei proposta. Já doeu na Tati profissional. Mas a Tati mãe achou melhor assim. Então, continuo procurando algo que atenda minhas necessidades. Tem que existir algo pra mim.  
E já que pretendo trabalhar de novo, a cria vai ter que ir pra escolinha. Por isso, optei por começar com algumas horas ao dia, pra ele ir se habituando. 
Depois de muito pesquisar e ponderar, optei pela escolinha onde meu sobrinho fica. Até a pediatra do Pedro concordou que poderia ser positivo pra ele ficar perto do primo. Seria um porto seguro no momento da adaptação. 
Então, desde quarta-feira ele está em adaptação. Ele e eu. Sinto-me devastada em deixá-lo e ir embora sozinha. Mas acho que vai ser positivo. E que Deus me ajude nessa nova fase. Que dê certo, se for pra dar. Ou que eu sinta que não vai dar e pronto. O que eu quero mesmo agora, é um abraço fofo e macio. Reconfortante, que me diga que tudo vai se ajeitar. E que meu filho não vai sofrer. Alguém se habilita?

sábado, 2 de março de 2013

Tudo juntinho, pra alegria do meu TOC.

Lá atrás, idos de 2008, eu criei um blogue. Sopa de Letrinhas da Tati. Ele me acompanhou em varias fases da vida, inclusive a mais importante, que foi a maternidade. 
Num desses xiliques que tenho eventualmente, cansei do Sopa. Foi criado, formatado e usado num outro momento da minha vida, e por motivos que não cabem aqui, resolvi que não queria mais.
Só que...
Tinha tanta informação e lembrança legal nele, que me deu angústia de deixá-lo morrer. Então....já que o problema era o blogue e não o que foi registrado nele, problema resolvido. Aqui estão todas as postagens do Sopa, devidamente importadas. Assim eu não fico feito louca procurando um texto que escrevi sobre alguma coisa importante. 
E se alguém chegar por aqui, e quiser ler ou reler, será um prazer. 
Tati.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Ontem foi um dia difícil.

Daí que ontem foi um dia difícil. Chuva o dia todo na terra da garoa. Piada infame. 
Bebê acordou cedo. Com disposição pra correr o mundo. E não se contentou com os míseros metros quadrados do apartamento. Tocou o terror, espalhou brinquedos e objetos da casa. Queria companhia. Queria seus DVDs, mesmo que só pra rodar. Não para assistir.
Eu, por minha vez, queria paz. Queria usar o computador. Queria ler. Queria procurar emprego. Tarefa que mal comecei e já me deixa ansiosa demais. Queria fazer as unhas, mas tive que desmarcar. Chuva que não parava de cair.
Chovia lá fora e chovia dentro de mim. Um pouco dessa água vazou em forma de lágrimas por 2 vezes. Exaurida, sem forças, sem ânimo. Era assim que eu me sentia. Queria mesmo dormir pra que o dia acabasse logo. Mas não. Há uma criança na história, alheia a tudo isso, querendo só brincar. Criança que acha graça em ver as lágrimas da mãe. Que vê o pai chegar na porta e já chama pra brincar. E o puxa pela mão, e depois puxa a mãe do mesmo jeito. Todos brincando. 
Talvez a solução de tudo esteja aí. Brincar mais. Levar a vida com mais leveza. Talvez eu não esteja aguentando o peso que escolhi carregar sozinha. O peso das minhas escolhas. 
Ou talvez não seja nada disso. Seja apenas TPM. Ou falta de sol. Porque essa pessoa não funciona bem quando o sol desaparece do céu. Nublou lá no alto, nubla aqui dentro, isso é fato. 
Depois a noite chegou, um banho quente, e tudo foi se acalmando.
Ontem, definitivamente foi um dia difícil. Mas outros virão e hão de ser melhores.  E espero que neles eu consiga manter o regime. Porque ontem, o dia difícil se tornou também o dia em que eu dei um balão no regime. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Leitura de Janeiro...O Imortal - A Saga de um Guerreiro

Uma das coisas que mais sinto falta depois da maternidade é do hábito de ler. Porque eu admito, sou uma fraca. Não consigo dar conta de toda minha vida. Mesmo estando sem trabalhar. (Trabalhar fora, porque né, trabalhar dentro é MUITO mais massacrante.) E eu sou uma dona de casa desprezível, uma mãe a beira de um ataque de nervos, tudo ao mesmo tempo e agora. Então com essa tempestade chamada vida de mulher, eu deixei a leitura de lado. Até blogues, artigos na net e afins, eu meio que selecionei, porque o tempo se escondeu e ninguém o acha pra me devolver. Mas, ok. Concluí a leitura. 
O livro é O Imortal - A Saga de um Guerreiro - da escritora e minha amiga, Vanessa Orgélio . 
Embora o título faça menção a um guerreiro, eu achei que o mote central é algo muito conhecido nosso: O AMOR. Sim. O guerreiro é antes de tudo, um amante. No amplo sentido da palavra amar. Ama a vida, ama a família, ama a vida, ama. Simples assim. 
Muitas voltas e reviravoltas marcam a história. 
Quem puder, sugiro ler. Posso emprestar o meu, mas não posso doar. Porque ele veio com uma bela dedicatória da autora, pra euzinha, claro. 
A Vanessa é uma escritora em início de carreira, dotada de talento e inteligência. Já está pra lançar o segundo romance, e já tem escritos de um terceiro. Uma mente produtiva. 
Assim como no lançamento do Imortal em 2012, Vanessa deverá lançar sua próxima obra no Rio de Janeiro, sua terra natal, depois deve vir pra São Paulo. 
Recomendadíssimo. 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Um sonho muito louco.

Bebê super animado com o passeio
Semana passada tive um sonho muito louco. Sonhei que ia visitar uma grande amiga, lá no Rio de Janeiro. Viagem tranquila, rapidinha, bebê calmo, até ganhou uma poltrona só pra ele. Avião no chão, vista linda, mas a empolgação de ver o lugar pela primeira vez, somada a um bebê bem pesado querendo bagunçar, me fizeram deixar as fotos para depois. Daí eu encontrava a amiga, que já me esperava e começou uma série de coisas engraçadas. Primeira delas: O trânsito. Uma loucura estava. Mas pudera. Sexta-feira, início de noite, verão, pancadas de chuva, tudo favorecia. A primeira coisa que tínhamos planejado já caiu por terra. O plano inicial era ir até Niterói. Jantar e quem sabe encontrar outra amiga querida, a dona do Quartinho mais fofo da blogosfera. Mas, planos adiados. 
O legal de tudo é que o marido da amiga era um excelente guia turístico e ia nos contando tudo sobre os lugares que passávamos. "Ali, a igreja da Candelária. Vocês conhecem?" Todo educado. Eu, nem tanto: "Ah, sim, a da chacina né?" E aí as risadas começaram a fluir naturalmente...passamos pela Linha Vermelha, vimos as "barreiras acústicas" postas pela prefeitura na ocasião do Pan-Americano. Tudo pelo bem estar da comunidade, claro, vimos  vários pontos turísticos, conhecemos a história podre do ex-prefeito de Duque de Caxias, que sumiu e deixou a cidade um verdadeiro lixão (no sentido de não pagar os coletores, e o lixo se acumular nas ruas), enfim, tudo cômico, se trágico não fosse. 
Tivemos uma noite agradável entre amigos. Meu marido, vejam só, até panquecas comeu. 
No sábado as coisas ficaram bem loucas. Bebê, que neste sonho já chegava no Rio de Janeiro meio avariado e cansado, pois claro, a mãe louca o havia feito viajar duas vezes em 10 dias, e em fase de nascimento de dentes, ficou bem chatinho. Acho que estranhou também um pouco do calor, e ficou meio desarranjado. Mamãe precisava trocar fraldas e roupa toda a cada 20 ou 30 minutos. Isso reduziu muito nossas chances de fazer um bom passeio. 
E olhem só, coisa que só acontece em sonho. Rio de Janeiro estava lotado. Copacabana não tinha nenhum lugarzinho pra parar o carro. Só mesmo no posto de gasolina, onde meu filhote praticou nudismo. Sim. Calçadas de Copacabana, e o garoto ali, nu em pelo. Realmente, cada mergulho é um flash naquele lugar. 
Uma coisa que vale a pena citar, é que sonho louco é sonho louco, e nesse, pasmem, não havia Cristo Redentor no Rio. Sim. Desde sexta-feira até domingo, nada de Cristo. Minha amiga bem tentou me convencer que um morrinho lá era o Pão de Açúcar, mas veja bem, havia uma nuvem enorme em volta dele, e nada de Cristo. De modo que pode ser qualquer morro. 
Bom, ainda almoçamos e demos uma esticadinha até Petrópolis. Sonho doido mesmo. O calor do Rio em instantes dava lugar a uma temperatura bem perto de "geladinha" lá na serra. 
Ainda tivemos pastel feito pelos maridos, vejam só, nós meninas, cuidando de nossos filhotes (o da amiga na barriga e o meu nos braços) e eles, os esposos lindos e prendados cuidando da janta. Ó, que coisa de sonho. Rimos muito com um tal colchão inflável, que alguém queria encher na boca. Rá! 
Descabeladas, na serra de Petrópolis
No domingo, ainda sonhávamos em correr até Niterói. Mas as horas passaram tão rápido, que mal acordamos e o avião já nos chamava pra embarcar. E foi assim que na hora do almoço de domingo, marido, filhote e eu já estávamos em terras paulistanas novamente. 
Ah, e só pra constar: As fotos que eu não tirei quando cheguei, também não tirei quando fui embora. Porque  na manhã do domingo chovia e o céu estava bem fechado. Fica a lição: Tire fotos no momento em que tiver vontade. Porque até a paisagem muda. 

Brincadeiras de lado: Van, amei conhecer seu mundinho, sua família e tudo. Amamos o carinho e hospitalidade com que vocês nos receberam. 
Sei que não fizemos tudo o que planejamos, mas a vida é assim. Sempre nos surpreende. 
Não deixe para amanhã, as fotos que você pode fazer hoje! #ficadica
Quanto a mim, fica a vontade de voltar e conhecer tudo mais de perto. Porque né, Rio de Janeiro sem Cristo Redentor não rola. E ainda fico devendo uma visitinha pra Dany! 

E assim é a vida. Uma coisa chamada internet te aproxima de pessoas que você nem sonhava em conhecer. Num dia você faz um comentário no blog da pessoa, e tempos depois, (anos, tá?) puft, está de mala, cuia e família na casa dessa pessoa. Sonho que nada, a vida é que é muito louca.  


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Natal do passado, do presente e do futuro!

Eu não gosto da nostalgia que algumas pessoas sentem no natal. Gente que sempre acha que o passado foi mais feliz do que o presente, gente que vive apegada a lembranças do tempo que já foi, que se emociona não com o que tem, mas sim, chora pelo que já foi. Enfim. Acho que saudosismo tem limite, e prefiro acreditar que cada final de ano é bom de alguma forma. É o fim de um ciclo, e começo de outro.
Fiquei pensando sobre isso e concluí que todos os natais que vivi tiveram sua magia. Tiveram alegria, tiveram lágrimas (de felicidade e de tristeza). Todos foram especiais. E o desse ano também será. Assim como todos os outros que virão. 
Lembro-me com emoção dos natais da infância. A casa da minha vó cheirava comida natalina e gostosa. Mesa farta era o que tínhamos. Um dia, achei uma minibicicleta escondida atrás da cortina do quarto da minha vó. Era pra mim. Fingi que não tinha visto. 
Eu não lembro quantos anos tinha, mas um dia, meu tio se vestiu de papai noel pela primeira vez. Foi uma festa. Os vizinhos compravam os presentes de seus filhos e levavam pra casa da minha vó. Na noite de natal, meu tio todo paramentado recebia a criançada da rua para entregar os presentes. Uma fila enorme. Quando isso acabou, ainda durante muitos anos ele se vestia de noel pras crianças de casa. Até que eles (nós) crescemos. 
Lembro também dos primeiros natais depois que minha vó se foi. Não foram muito alegres. Mas eu achava, e ainda acho, que devemos sempre caminhar pra frente. Tínhamos crianças. E elas mereciam continuar vivendo o natal. Mesmo que a família estivesse triste. 
Nessa época, começamos uma nova tradição. O amigo-secreto familiar. Fabrício, meu primo, era pequeno ainda e olhava pra gente e falava: "-Você quer saber quem eu tirei? eu conto!"  "-Não, Fabrício! não quero saber." "-Mas eu te falo." "-NããããO".
Esses eventos são muito engraçados. Porque todo mundo sabe quem todo mundo tirou. 
Certa vez, tivemos o natal do vermelho . Minha mãe montou um presépio debaixo da escada. Era papel imitando pedra subindo pela parede, pela escada, rs. Mas as peças do presépio eram minúsculas. Então nós entrávamos na sala e gritávamos: "Vermelhoooo" - rs, era uma alusão a uma promoção do MMs, lembra?.
Aliás, nesses presépios da minha mãe, eu sempre sequestrava o menino Jesus e escondia, porque achava que ele só podia ir pra manjedoura depois de nascido, ou seja, no dia 25 de dezembro. E ela (minha mãe), achava o menino e devolvia no presépio, e minha irmã escondia de novo...e assim a coisa ia, dezembro a dentro.   
Quando eu me casei, logo depois, andava por uma loja dessas de departamento e marido e eu encontramos enfeites de natal expostos. Foi um lampejo duplo. Compramos nossa primeira árvore. E decidimos que dali  até o natal, compraríamos presentes para nós mesmos (rs) para colocar debaixo da árvore. E desse ano em diante, todo presente que compramos, pra todo mundo, ia pra debaixo da árvore. Até esse ano, porque agora eu tenho um bebê andante. Que fuça, mexe, rasga embrulhos, enfim. Não rola mais presentes enfeitando a árvore. 
Esse ano temos o bebê que já entende muita coisa. Ele já ganhou presente antecipado. Mas vai ganhar muito mais, eu posso apostar. Ele e meu sobrinho são a nova geração da minha família. São o sopro de alegria e renovo. São a promessa de novos natais alegres. Por eles nós mantemos tradições e criamos outras. Porque eu tenho certeza de que criança em casa é promessa de que novos rituais natalinos se farão. Até já posso prever esses dois menininhos fuçando atrás das cortinas atrás de uma bicicleta. 
Sendo assim, só posso concluir que natal feliz é sempre o presente. 
Então, pra mim e pra vocês, eu desejo o melhor natal do mundo. Até que chegue o próximo! 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Como diria Kátia: "Não está sendo fácil!"

As coisas não andam fáceis por aqui. Bebê anda num ritmo frenético de mudanças que estão me deixando louca. Em alguns momentos dá vontade de sair gritando e correndo pela rua. 
Eu não sei se o problema é a criança ou a mãe. Já não sei mais onde termina um e começa outro. O fato é que estou muito angustiada por ficar em casa o dia todo. A rotina de "dona de casa + mamãe" não me deixa feliz. Pronto, falei. É isso. Que Deus me perdoe se for pecado. Mas eu me sinto frustrada. Pequena, incapaz. Incompleta. Já deixei de ler blogues de mães felizes porque fico me achando uma aberração. Muitas vezes eu protelo a saída da cama. Porque sei que quando acordar, acabou o sossego. Tal qual cachorro, vou correr atrás do rabo o dia todo. Nem bem cuido da criança, nem bem cuido da casa. Tudo fica mal feito. Eu gosto da minha casa organizada, mas hoje ela passa longe disso. Lavar a louça da pia é uma tarefa pra mais de uma hora. E isso com um bebê pendurado na perna, se debatendo na cozinha minúscula. O Patati & Patatá aparece tanto na minha TV que me dá vontade de tacar um sapato nela. Pra ver se eles somem de uma vez. Mas reconsidero. Eles pelo menos fazem a cria ficar 10 minutos entretida. 
Nos últimos dias bebê está particularmente irritado. Não tem motivo aparente, (só mesmo um dente novo apontado) mas está agitado, não dorme, quando o faz, é na minha cama. Acorda 20 vezes, chora, não quer comer, só quer ficar nos braços. Li sobre um salto de desenvolvimento próximo da semana 64, ou algo em torno dos 15 meses. E adivinha quem fará 15 meses segunda-feira, dia 10? O próprio. Espero que seja só um pico mesmo. Uma fase. Porque eu estou exausta. Desistindo de verdade de pensar na ideia de outro filho. Fico achando que decidi pelo primeiro filho velha demais. Deveria ter tido antes, quando tinha mais paciência. Mas sei lá....paciência nunca foi meu forte. Acho que nunca vai ser. 
Hoje, tá tudo confuso. Tá bom não. 
Eu não decidi ainda sobre o que é esse texto. Acho que sobre nada. Só um amontoado de reclamações. Que dentro de alguns dias, vão me causar vergonha. Estou escrevendo sem pensar. Sem conferir. Pontuando de acordo com meus pensamentos. Deixa assim. 

P.S - A Kátia referida no título é uma cantora. Sucesso nos anos 80, cantava uma música com essa frase: "Não está sendo fácil...viver assim..." E não é fácil mesmo...mas quem disse que seria não é????

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Essa noite você me assustou!

(Reblogagem - Post originalmente escrito e publicado em 22.06.2008 - no blogue "Sopa de Letrinhas da Tati" - texto transcrito sem alterações, tal qual foi criado).


Essa noite você me assustou. Acordei e não sabia ao certo onde estava. Logo me lembrei. Estou em minha nova vida, nova casa, nova cama, e neste momento até eu sou nova, sou outra.
Paro e penso em tudo o que aconteceu. Tudo mudou em tão pouco tempo, chego a ficar zonza, embora esteja feliz.
Ainda lembro do que pensei quando voltei do nosso primeiro encontro: “Menina, você não aprende. Vai quebrar a cara de novo, parece criança”.
Hoje me pego pensando em como serão as nossas crianças, fazendo planos que nunca antes imaginei, nem nos melhores sonhos.
Tudo que vivemos tem gosto de novidade, e aos olhos de muitos parece loucura, mas cada detalhe desta nova vida me faz feliz: Dormir e acordar juntos, dizer “Eu te amo, vai com Deus” cada vez que vai ao trabalho, sentar para jantar e ouvir como foi seu dia, contar o meu, e chegar à conclusão de que é bom estar em casa, finalmente. Louça lavada em dupla, compras no mercado, contas a pagar, filminho com pipoca no sábado à noite, tomar banho junto, perder a hora do trabalho, chocolate de sobremesa, caixas e caixas de cereal, roupa manchada na máquina de lavar, ataque de riso pra comemorar o quanto estamos felizes.
Vivo uma fase de descobertas, que às vezes são estranhas, confesso que me assusto com tanta novidade.
Todos dizem, “aproveita, isso passa...”, mas prefiro acreditar que conosco será sempre assim, perfeito.
Perfeito porque felicidade não exige grandes eventos, ou solenidades...Ela se encontra nos pequenos detalhes de uma vida corrida e agitada como a nossa.
Quando perguntada se estou feliz, sinto vontade de responder: “olha, mais um pouco e saio flutuando”.Tantas coisas busquei no mundo, e nada achei, até que vi em você aquilo que tanto ansiei: nossa vidinha, tão nossa, tão apaixonada, tão saborosa, e abençoada por Deus, que é o mais importante.
Essa noite você me assustou, e depois me confortou, e eu espero que continue a fazer o mesmo em todas as noites de nossa vida.