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sábado, 15 de fevereiro de 2014

A nossa despedida!

Você dormiu no sofá. Eu me sentei ao seu lado, sala iluminada apenas pela TV. Só nós dois em casa. De repente, um barulho te incomodou. Você levantou sonolento, encontrou meu corpo e se aninhou, meio sentado, meio apoiado em mim. Cheirei seu cabelo. Senti uma saudade quase insuportável invadir o peito. Algumas lágrimas rolaram e molharam seu cabelinho cheiroso. Fiquei ali, abraçada a você, pensando que muito em breve não seríamos apenas "uma mãe e um filho". Em pouco tempo seríamos "uma mãe e dois filhos". Tudo dividido. Tudo multiplicado. E essa conta parece não fechar.
Papai chegou e te levou pra cama. Mesmo sem precisar porque você já dormia, me deitei ao seu lado. Pra somente te sentir. Agora já não eram algumas lágrimas. Mas um choro copioso. Chorei de alegria e gratidão pela tua vida, de tristeza porque em breve minha atenção pra você será diminuída, de saudade antecipada, chorei pedindo perdão por tudo o que fiz de errado com você, chorei. Chorei porque quando os sentimentos são grande demais eles transbordam em forma de lágrimas. Chorei porque você não é mais um bebê, só que ainda é. Você me entende? Pra mim, você sempre será um bebê. 
Chorei de medo de te machucar, de te traumatizar. Chorei porque me senti incapaz de dar conta de dois bebês. Tudo junto e misturado agora. 
Seu travesseiro ficou molhado pelo tanto que meus sentimentos sobejavam. 
Uma das coisas que mais temo nessa vida é te machucar. Eu queria muito uma bolha mágica que te protegesse de tudo o que é ruim nesse mundo. 
Enfim. Depois de tanto chorar, te deixei dormindo. O sono mais tranquilo e alheio a tudo o que eu fazia ou sentia ali do seu lado. 
Meio sem querer isso acabou sendo nossa despedida de "mãe e filho único". Não tivemos mais outro momento assim, tão nosso, tão intenso e tão particular. Logo depois sua irmã chegaria nesse mundo. Mas esse é outro assunto. 
Meu filho, mesmo que a atenção seja dividida, o amor é multiplicado. Sempre. todos os dias. Mesmo que para isso eu precise de quatro braços. Ou ficar sem dormir. Pra vocês eu darei o melhor de mim. 

*** Em tempo: Helena nasceu dia 06/02/14. Estamos bem. Sobrevivendo aos primeiros dias. Com grandes turbulências familiares em volta de nós. Mas creio na vitória. ***

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Meu Bebê


5 anos e meio. Esse tempo nos separava. Eu podia tê-la jogado do berço, por exemplo, mas não o fiz. Motivo teria, ora essa! Era a filha única, neta única, sobrinha única, tudo era meu. Por que então agora teria que dividir tudo com ela?
Mas assim aconteceu. O bebê gorducho e de olhos tão azuis quanto os meus chegou. E se instalou de mala e cuia em minha vida, e de toda a família. Audácia pura.
Agora não havia mais nada a fazer. A não ser dividir tudo, quarto, brinquedos, mamãe. Esperar o leite ferver ao lado do fogão, tarde da noite, preparando seu “Cremogema” sabor morango. Era preciso colaborar. Emprestar meus brinquedos. Parte difícil essa, pois o ser minúsculo e bochechudo era também destruidor. Certa feita, eu tinha na caixa ainda e com os plásticos de proteção do cabelinho lindo e loiro intactos, uma boneca que engatinhava, andava, pedalava na bicicleta e ainda cavalgava num cavalinho. Teríamos uma longa amizade e mil brincadeiras, não fosse o fato do pequeno ser ter arrancado o braço de minha boneca, sem dó nem piedade.
Assim o tempo passou, entre brigas e brincadeiras, segredos compartilhados, bons momentos, outros nem tanto. A vida nos separou, ela teve o prazer de morar com a vovó, bom, eu também o tive em certos momentos, muitos, aliás, mas essa é outra história.
O bebê cresceu, tornou-se uma mocinha bonita, popular, de quem todos queriam ser amigos. O telefone era sempre pra ela, mil compromissos, sorrisos, paqueras, corações partidos (por ela). Roupas cor de rosa, pink, e suas variantes davam o tom da “Penélope Charmosa” que o bebê pentelho se tornou. Sempre fazendo sucesso, deu-nos alguns sustos, que me fizeram perceber que ela era sim, deveras importante, e que eu defenderia sua vida como ou mais faço com a minha.
Muitos namoricos e agitos depois, a mocinha encontra um mocinho parecido com ela no jeitinho leve de levar a vida, meio ao sabor do vento, e passou a agir estranhamente. Sua vida social foi mudando, seus planos também, amigos e agitos foram deixados de lado, e quando menos esperei, lá estava a garota: calma, tranqüila e devotada a uma única pessoa: seu namorado.
Este depois ganhou o título de noivo, e a vida seguiu. Muita coisa aconteceu, e embora ela ainda pareça o mesmo bebê gorducho de sempre, a mocinha hoje está de casamento marcado.
Meu bebê, aquela que é minha cópia aloirada, a quem eu tanto quis ensinar e defender estará em breve se tornando uma “senhora”.
Irmãzinha, quando foi que você se tornou adulta o suficiente pra assumir tal compromisso? De onde tirou tantas certezas nessa vida? Onde eu estava que não vi a vida correr desse jeito?
Ontem a vi reclamando que o noivo é um “pidão”, que para tudo quer sua ajuda, e ri secretamente. Você não sabe o que está por vir. Um casamento faz com que os pedidos tripliquem de tamanho, a todas as horas. Mas tem suas compensações minha linda, você verá!
Quanto a mim, espero ter pela vida afora milhões de outros motivos para sentar e escrever sobre sua vida cor-de-rosa, suas vontades e manias, e principalmente sobre a nova família que irá começar !!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Reflexões no Coletivo

Num espreme-aperta, enlouquecedor e sem nada pra fazer, a não ser ter paciência, pus-me a divagar, deixar o pensamento voar. (Isso ajudaria a esquecer o peso de minha sacola, que segurava com esforço).
Por que as pessoas fingem que dormem? Somos todos livres, independentes, usufruímos o livre-arbítrio, nascemos com o direito à vida irrevogável (até o primeiro calibre 38 desvairado atrás de dinheiro fácil.). Então por que precisamos fingir que dormimos para não ajudar o próximo?
A senhora perto dos 40 anos, bonita e cheia de anéis nos dedos abre os olhos, segura-se durante as freadas, depois joga a cabeça pra trás, fecha os olhos e volta a sonhar com os anjos. Próxima curva, o mesmo ritual. Abre os olhos, verifica onde está. Longe ainda de casa. Volta a dormir. Ignorando solenemente aqueles que estão em situação desfavorável, em pé e carregando peso.
O moço ao lado, um pouco mais novo e com um nariz mais avantajado faz o mesmo, mas não disfarça tão bem e permite-se olhar em volta, como que curioso pela situação e pelas pessoas ali tão próximas. Igualmente não faz nada para ajudar.
A jovem estudante se equilibra com sua pilha de cadernos nas mãos, enorme bolsa nos ombros, salto e maquiagem impecáveis, segura-se como pode. Outra mais novinha segura-se com uma mão e com a outra atende ao telefone celular. Mamãe. Convite para ir ao shopping recusado. A mocinha prefere malhar na academia a curtir umas horinhas vendo vitrine com a matriarca da família.
Assim todos vão chegando aos seus destinos. Uns fingindo que dormem, outros fingindo que acreditam.
Eu, tento acreditar que aqueles que fingem um sono “profundo”, o fazem por cansaço, e não por maldade. Porque se não atribuir essa falta de consciência coletiva ao fardo que carregamos diariamente, chegaria novamente a conclusão de que o ser humano não tem respeito com seu próximo. E mesmo tendo esta verdade esfregada na cara todos os dias em diversas situações, estou sempre tentando acreditar e dar novo voto de confiança a nossa espécie tão peculiar.
Eu mesmo devo ter feito isso em algum momento. Afinal, quem não tiver pecado que atire a primeira pedra.
Um dia de estresse, de problemas no trabalho, ou mesmo por distração já devo ter deixado alguém carregar suas sacolas como bem pudesse fazer.
Mas minhas reflexões não apagam minha decepção por naquele dia, naquela hora em que precisava chegar rápido por isso optei por ir em pé, não achei nenhuma criatura capaz de ajudar.
E sabem de quem é a culpa?
Da Fiat, que faz um carro tão frágil e propenso a quebrar, que de novo me deixou a pé. Ou melhor, de lotação.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Amizade, simples assim...

Engraçado como às vezes um fato corriqueiro trás à tona lembranças adormecidas. Assim foi num dia desses. A TV exibia um filme que me lembro ter sido motivo de muito riso e identificação entre mim e uma grande amiga. Parecia a história de nossas vidas, foi o que dissemos ao vê-lo pela primeira vez, e repetimos sempre que o assunto era o tal filme.
Embalada nessa atmosfera nostálgica parei para lembrar da importância de se ter amigos nesta vida, e de como fui e sou feliz por tê-los. Poderia contar milhares de histórias para ilustrar melhor o que quero dizer. Histórias que aconteceram ao longo de minha existência, sempre em boa companhia.
Fecho os olhos e ainda posso ver. Risadas na sala de aula, manhãs tardes e noites inteiras dedicadas à bagunça, festinhas e baladas aos sábados, música tema da paixonite do mês, anel da sorte, bilhetes, cartas e fotos, códigos secretos que só nós entendíamos, ciúme do namorado novo, da colega de classe, mapas que nunca sabíamos usar, mesmo assim sempre chegamos ao destino certo, par ou ímpar no cinema, dias de sol, sal, praia, protetor solar, barraca molhada estragando aquele feriado tão planejado, muitos gatinhos, bolachinha pra enganar a fome, conversas de horas ao telefone... Poderia estender a lista por muitas páginas, mas não é preciso. Quem tem ou teve um amigo de verdade, pode entender o que digo. Pedacinhos de vida que são eternizados por que foram divididos com um grande companheiro. Por que afinal, o que mais valioso podemos guardar além de momentos felizes? Situações que nenhuma câmera consegue fotografar, mas que nossa memória jamais esquecerá. E se você não pode entender uma crise de riso sem motivo algum entre dois amigos, deveria rever seus conceitos. Está lhe faltando algo essencial na vida. Descobrir o valor de uma amizade verdadeira.

P.S - Reedição de um texto antigo, que já foi publicado na 1 Antologia Literária do grupo de escritores da UNIABC...hoje eu diria que "Em todo tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão" Provérbios 17:17.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Quem dera ele pudesse me ouvir ...

Diversas vezes eu entrei e ele estava lá. Mesa do fundo. Quieto, grisalho, semblante triste de quem tem o pensamento longe e só está ali por estar. Esbocei um sorriso algumas vezes, o retorno foi desconfiado, como quem procura saber o motivo da gentileza.
Naquele dia foi diferente. Ousei perguntar para alguém próximo quem era, pois todas as vezes que olhava pra ele, lembrava de você, meu vô. E descobri que a sua história e a dele, eram parecidas. Com uma diferença. Ele está aqui e você já se foi.
Bateu-me uma saudade tão grande naquele instante, que lágrimas rolaram mesmo eu me esforçando para segura-las. Detesto ser fraca.
Comecei a pensar em você, que já não está conosco há bastante tempo, e confesso que mal consegui terminar o almoço, que teimava em não descer pela garganta.
Lembrei de tudo que passamos, tantos momentos, uns lá do começo da minha infância, onde você queria cortar minhas unhas e eu, já dando mostras de um temperamento difícil dizia que não. Não queria unhas curtas. Relembrei da fase difícil quando a vó se foi e você ficou perdido, tal qual uma criança, e daí em diante perdeu o rumo. Lembrei das brigas na difícil fase de adaptação quando moramos juntos. Eu sei, não foi fácil pra ninguém. Quantas vezes discutimos, falamos alto, você me mandou embora duas vezes. Mas eu não fui. Melhor pra mim, que teria morrido de remorso depois. Mas também tivemos momentos bons, de paz, de trégua, assistimos Roberto Leal juntos, já quase no fim de tudo e vi você chorar de saudade. Hoje quem chora sou eu. Ainda tenho o último presente que você me deu, um vestido “pra ir à igreja com o moço”. O moço hoje é meu marido vô, e você teria muito orgulho disso. Eu até aprendi a cozinhar, olha que benção. Manuseio o liquidificador, a batedeira, a máquina de lavar, viu como não era tarde pra aprender? Nunca mais fiz o molho que você gostava. Nem a sopinha de Fidellini, mas sempre me lembro de como você gostava dessas coisas, e cito pra quem estiver ao meu lado, assim as memórias ficam sempre frescas.
Queria muito que você estivesse aqui hoje. Queria que pudesse me ver, queria desfazer tanta coisa, e fazer outras tantas, mas sei que não é possível. Se você estivesse em casa, iria te dar um abraço. Ou talvez não. Acho que ficaria mesmo na porta do seu quarto, observando seu sono, e vendo sua respiração. E tendo a certeza de que está bem, tal qual fiz tantas vezes.
Sei que não pode mais me ouvir, mas dizer estas palavras é uma forma de amenizar o que sinto agora, e quem sabe um dia, lá na Gloria do Pai não nos vemos de novo, e aí quem sabe posso te dar aquele abraço.
Vou seguindo a vida, guardando as memórias, e te relembrando sempre, porque aqui dentro de mim, você ainda vive, casmurro e teimoso como sempre, afinal de quem acha que eu herdei este gênio difícil ?

domingo, 27 de julho de 2008

Tempo

Cruel e implacável. Decidido e determinante. Assim ele é. Senhor de tudo alimenta paixões, mas também as destrói. Mata de saudade, mas serve de mercúrio-cromo amenizando as dores e fechando feridas. Sempre em frente, nunca volta atrás nem se arrepende.
Marcha todos os dias rumo ao novo, ao desconhecido, rumo ao futuro. Leva para longe as lembranças da infância, oferece um tom amarelado para as nossas melhores recordações, por mais que tentemos evitar.
Há quem tente de tudo para vence-lo, ciência, auto-ajuda, medicina, indústria química, mas é tudo em vão. Parar esta força não compete a nós meros mortais temerosos.
O que será isso que passa sem ser percebido e deixa marcas em rostos e corações?
Não conseguimos detê-lo, nem retarda-lo, apenas viver da melhor forma possível.
Do que falo? Ora, senão é ele, o tempo. Tempo que vai, mas nunca volta.
Força que todos os dias escapa entre as mãos, tempo que me fez aprender que bom mesmo ( com a licença do poeta ), é que seja eterno enquanto dure.

domingo, 13 de julho de 2008

Metrô

Num vai e vem constante ele passa. Leva pessoas de um canto a outro. Encurtando distâncias com incrível velocidade. Benefício das metrópoles para a massa que todos os dias se locomove pela cidade. Grande e eficiente Metrô.
Paro e observo, vejo mais do que isso. Rostos anônimos de fato, mas cada um com uma trajetória, com um desejo, uma dor, ou uma alegria.
Ao lado vejo a moça que solitária e vaidosa não para de olhar para si mesma através de um pequeno espelho. O que será que tanto busca? Talvez suas verdades, quem sabe?
Mais a frente um casal. Pouca conversa, muitas malas, expressão de cansaço e nenhum traço de alegria.
Em outro canto vejo um grupo animado que ri sem se importar em fazer barulho. Trajam roupas diferentes. Não se pode negar que eles pertencem a uma tribo com estilo muito próprio.
Para onde olhar vejo misturas: branco, negro, paulista, nordestino, novo, velho, bonito, f eio, triste, feliz, cansado, esperançoso. Cada qual com sua história única e verdadeira, que ocupa um pequeno espaço no grande trem apenas de passagem. Vidas que invadem um cenário por duas ou três estações e depois se vão para dar lugar à outra história. Não menos importante, nem menos anônima. Apenas mais uma a ocupar os bancos do metrô.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Não era eu

Dia desses achei diversos rascunhos de textos que escrevi há tempos atrás. Alguns de anos. Quatro, cinco ou mais.
Parei pra ler e decidi por todos no lixo. Piquei em pedaços.
Muito do que estava ali não falava de mim...E sim de uma estranha, com pensamentos confusos, esquisitos, tristes. Eram como se alguém muito diferente tivesse escrito. Havia sonhos que caíram por terra, lembranças que se perderam no tempo, pessoas que tive que me esforçar pra lembrar quem eram, definitivamente aquela vida descrita ali não era minha. Nada se parecia com o que eu penso e faço hoje.
Claro que encontrei resquícios de mim. Pequenos fragmentos que afirmavam que sim, eu os tinha escrito, mas os conteúdos não condiziam mais com a realidade.
E sabe qual o motivo disso tudo? O tempo passou, eu cresci, evoluí, criei asas e voei. Pode parecer clichê, e é, mas a vida anda pra frente, e a minha não andou. Correu.
O que antes era angústia, novidade e trazia medo, hoje é minha doce realidade, muitos fantasmas como solidão, tristeza, saudade, foram sumariamente aniquilados,certezas que não tinha hoje são fatos, pessoas importantes se mostraram nem tão indispensáveis assim, tudo assumiu outras dimensões.
Fico pensando como o tempo nos torna diferentes sem que percebamos. Um estalar de dedos e tudo se faz novo. E essa é a graça da vida. Somos mutáveis. Não como meus heróis preferidos Wolverine, Tempestade, Vampira, e toda a turminha “X”. Somos mutáveis pela ação do tempo que vai nos moldando segundo os acontecimentos, e nos tornando melhores. Experiências amargas doem, mas são importantes no aprendizado. E experiências boas, hora ou outra saem de cena, para que outras aconteçam.
É isso, ontem a incerteza e o medo de ficar sozinha a vida inteira, hoje uma vida a dois reconfortante e feliz. No passado um desejo enorme de adentrar uma universidade e ser chamada de caloura, hoje um diploma na mão, mesmo que não saiba exatamente o que fazer com ele.
E assim a vida segue, ensinando, empurrando, acontecendo sem que ninguém se dê conta de seu caráter transformador e mágico. Segue de forma que quando olho minhas lembranças vejo uma desconhecida, que me faz lembrar que o tempo é sim um “santo remédio”, ministrado de forma sutil.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Informes Infames

Chego em casa e lá estão eles. Enroladinhos, serelepes ou jogados ao sabor do vento. Confesso que no início achava interessante, ficara interada sobre as “novidades” comerciais do bairro, mas já não os tolero.
Pouco a pouco percebi que servem mesmo para duas coisas: Atrapalhar o serviço doméstico desta que vos fala, o que já uma afronta, pois assim como a maioria massacrante das mulheres, possuo jornada dupla de trabalho, e o mais grave, agredir aquele que já está cansado e machucado, nosso meio ambiente.
Você chega em casa todos os dias e se depara com uma montanha de panfletos, folders, jornais, sobre os mais variados assuntos: a mercearia da esquina, com “promoções imperdíveis”, a pizzaria com uma super oferta “compre pizza, ganhe o refrigerante”, o fornecedor de galão de água (mineral???), a cartomante que faz e desfaz (essa deve ser a pior), enfim, toda a sorte de propagandas e anúncios.
Sei que comerciantes precisam anunciar seu produto, e nem todos podem bancar a Vênus Platinada em horário nobre, mas será que precisamos mesmo desta avalanche de papéis emporcalhando tudo? Quem disse que eu e meu portão gostamos destes “adereços” enfiados na pobre grade? E mais ainda, se gostamos, um não seria suficiente? Pois posso ver três ou quatro iguais, lado a lado.
Isso tem me causado revolta em dose dupla. Atraso meu trabalho de limpeza e arrumação do lar doce lar, e de quebra, vejo bueiros entupidos em dia de chuva, ruas sujas, papéis voando sem direção na ventania, fora às milhares de árvores que foram derrubadas pra impressão dos tais papéis informativos.
Falta consciência social e moral para os srs. “empresários”, que gastam seu precioso dinheiro com tais publicações.
Não sou especialista no assunto, mas acho que devem existir boas estratégias de marketing que não sejam sujar a cidade com milhares de folhetos e suas notas de rodapé.
Como sou apenas uma, não posso mudar o mundo, mas posso boicotar tal sistema a minha maneira, e é o que faço. Esses senhores ditos homens de negócios me informam de seus mercadinho e afins...Eu tomo nota direitinho onde fica e.... Passo bem longe deles. Assim tenho certeza de que eu não estou colaborando com esse descaso.

domingo, 15 de junho de 2008

Ataques, Xiliques e Grosserias

Eventualmente nos deparamos com situações embaraçosas, causadas por pessoas um pouco tensas, digamos. Há muito perdemos a paciência e ao menor sinal de transtorno ( que muitas vezes nem existe), estouramos.
No trânsito, no trabalho, na fila do banco, no restaurante, sempre é tempo para um ataque de nervos.
Isto nos faz pensar porque as pessoas perdem a calma tão facilmente. Será desgaste pela correria do dia a dia, serão problemas em casa, no trabalho, ou estamos mesmo é perdendo o respeito pelo nosso semelhante?
Se pararmos pra pensar, esses ataques contra o próximo provém da falta de interesse que temos para com ele. Não nos interessa quem ele é, de onde vem o que faz, nem muito menos porque está em nossa frente naquele momento. Só enxergamos o transtorno iminente.
O motorista do carro ao lado, ah, não sabe dirigir, só atrapalha o trânsito, no trabalho meu subordinado não merece respeito, pra que? É só um estagiário. E o caixa do banco? O tratamos como se ele fosse parte da máquina, e o garçom do restaurante, era homem ou mulher? Nem reparei...
Retirando o valor de alguém como ser humano, retira-se por tabela o respeito e atenção que devemos a ela, somente pelo fato de ser um semelhante nosso. Uma vez que isso fosse lembrado, os ataques, xiliques e grosserias seriam evitados em muitos casos. E nós voltaríamos para casa com a agradável sensação de não ter ofendido ninguém. E o garçom, não é que era uma pessoa muito gentil....

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Tempos de Futilidade

Vivemos em tempos de futilidade. Onde o supérfluo, o raso, e o vazio imperam. Conversas sem conteúdo, apenas para massagear egos inflados pela vaidade, pessoas que agem como se seu semelhante não existisse, e só elas fossem importantes. Que acreditam que a marca de sua bebida é sinal de classe, sem perceber que cara ou barata, tanto faz, o resultado será uma dor de cabeça latente no dia seguinte, e que o melhor da festa, o instante mágico foi perdido no meio da bebedeira.
Vejo um senhor de meia idade e o elejo “troféu futilidade 2007”. Como se precisasse provar que é um ser pensante, prefere discutir o tamanho do arquivo da foto digital, a viver bons momentos que mereçam ser fotografados. Lamentável perder um tempo que não mais voltará.
Paro pra pensar no que será da humanidade nestes dias de ilusão total, e perdida no meio de minha frustração, começo a lembrar de pessoas que não se comportaram assim, de forma tão frívola, e que de alguma forma ficaram guardadas em minha memória.
Por menor que seja o gesto, sinalizar bondade aquece o coração do próximo. Seja a gentileza do caixa do restaurante, que dá boas vindas em nome daquela cidadezinha perdida no mapa, seja do enfermeiro que oferece ajuda quando você está atordoada demais pra pensar em qualquer coisa, do senhor solícito daquela pousada que oferece a sobremesa que acabou de ser servida, seja da nova colega de trabalho que lhe inspira uma empatia boa, que há tempos você não sentia, e se mostra mais amiga e fiel do que tantas outras “amigas” que passaram por sua vida. Pessoas que não tinham a menor obrigação de lhe sorrir, lhe ser gentil, mas que o fizeram porque simplesmente são boas e sabem que daqui, desse mundinho perverso, nada levamos. Então, pra quê pensar só em construir impérios, ostentar riquezas, aparências, se nada disso será pra sempre? “Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Evang. Lucas 12: 20). Na ânsia de uma busca de algo que nem mesmo sabem o que é, essas pessoas, mestres da futilidade vão cada vez mais se afastando do que seria o projeto de vida ideal. Amar, ser amado, respeitar, ajudar, temer a Deus, adora-lo, para que possam ter uma vida longínqua e feliz. Será que as pessoas de coração mais puro estão perdendo muito serem boas? Particularmente, acho que não...
(Este texto é uma reedição do post que inaugurou o antigo blog, lá no terra)

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Meninas, usai saias !

Longa, média (curta não, porque sou menina direita...), solta, justa, lisa, estampada, moderna ou tradicional, meninas: abusem delas!
Quem já experimentou sabe a delícia e a liberdade de uma saia ou um vestido. Fora à aparência feminina e charmosa que ganham as suas adeptas.
Vamos lá, deixemos de lado a revolução feminina e a calça jeans. Dia bonito? Que tal uma linda saia de florzinhas? Sexta-feira free no trabalho? Vestido longo, com estampas da moda, alegre e jovial. Pronto. Perfeita.
Nós mulheres, namoradas, esposas, mães, filhas, profissionais, na correria do dia a dia acabamos nos esquecendo de nossa essência. Mulher, a sublime criação do Pai, feita para ser “coração”. Então optamos por ser práticas e vestir-se dessa forma e às vezes esquecemos de como é bom sentir-se bonita e leve. Tente.
Depois de uma adolescência escondendo as pernocas na calça jeans, na “calça bailarina” (ta bom... eu admito: fui adolescente nos anos 90) me tornei uma jovem sem vergonha. Calma, apenas digo que perdi a vergonha e um dia arrisquei uma saia pretinha básica, depois uma verdinha, depois um vestido, e um belo dia constatei que não compro uma mísera calça à pelo menos dois anos. E o melhor, nem sinto falta dela. Amo a sensação de vestir uma peça tão ímpar, que me permite sentir-me melhor e mais bonita.
Nos dias em que preciso vestir calças (dias frios, uniforme do trabalho...) sinto-me agoniada, ansiando por tira-la e resgatar minhas roupas de “mulher”.
E para aquelas que ainda não se renderam aos fatos: arrisquem meninas lindas! A sensação de estar bela somada a liberdade de uma saia não tem comparação.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Aventuras Automobilísticas

Na estrada ....

- Olha amor, a placa, é ali.
- Ali onde?
- Naquele portão, olha lá...Buzina pra avisar que chegamos.
- No meio do mato? Nessa escuridão?
- É vai logo.
RRRRRRRRRRRRRRRRRPOUOOU
- Que foi isso amor?
- Foi um galho de árvore. Que acabou de riscar o pára-choque.
- Vou ligar lá e falar pra ela abrir o portão.
Trim Trim Trim
- Alô moça, chegamos. Como assim? Ainda faltam 5Km de estrada de terra? Poxa, até riscamos o carro.....

Na saída do trabalho....

- Vim te buscar amor. Toma, leva o carro.
- Ai que lindo, brigada. Amor,a embreagem deu um estalo.
- Besteira, anda, liga logo e vamos embora.
VRUMMMM VRUMMMM VRUMMMM
TOFFFF
- Amor, acho que o cabo da embreagem já era....
- Encosta, encosta, pára o carro...


Na volta da viagem ....

- Oi pai, chegamos. Ta aqui seu carro. Tchau, obrigado viu...
- Ei filho, o que é isso no pára-choque?
- Isso? Ah é... Foi um galho de árvore que riscou...tava escuro....ah, e também perdemos uma calota e parece que ta vazando óleo. Mas brigadão viu...Quebrou o maior galho. Literalmente.

Durante um passeio ....

- Olha amor, a placa... a Barragem é pra cima, entra aí nessa rua...
- Ah, é...Mas é uma bifurcação. Entro em qual?
- Nessa aqui ó...uhú ! Será que é legal essa barragem?
- Sei lá hein...Vamos subir e ver no que dá...
VRUM ..... VRUM .... VRUM .... VRUM ...................
- Ai amor, ta demorando né...Não chega nunca...É melhor voltar
- Ah não, que isso, já viemos até aqui, vamos subir....
VRUMMM .... VRUMM....VRRUUUUUUUUMMM
- Engraçado, parece que a estrada vai terminar ali ó..
- Peraí..Tem uma placa diz assim: “Aterro municipal – entrada proibida”
- Aterro? Em vez da Barragem, achamos um lixão?
- É...Engraçado né?...peraí que eu vou fotografar. Pára o carro.
- Fotografar o lixão?
- Não né amor, dããã.. a paisagem daqui de cima. Ninguém precisa saber que é a porta do lixão. Ó que bonito!